Quaresma

Quaresma

   Para celebrar a festa das festas, a Páscoa, a Igreja propõe desde o início de sua caminhada uma adequada preparação. A Quaresma é um período de 40 dias que se inicia com a Quarta-feira de Cinzas, onde o sacerdote marca a testa dos fiéis com um pouco de cinza obtidas queimando os ramos abençoados no Domingo de Ramos que acontece antes da semana santa e da páscoa do ano anterior. Está tradição simboliza prova de arrependimento, penitência e luto segundo tradições encontradas na Bíblia, e termina no Domingo de Ramos. A Quarta-feira de Cinzas abre então, este tempo de conversão e de penitência, fazendo a proposta da observância quaresmal da oração, do jejum e da esmola.  Este período compreende 47 dias. A Quaresma significa, para os católicos, um tempo de preparação e mudança. Suas origens remontam ao Novo Testamento, onde está relatado que Jesus ficou quarenta dias no deserto jejuando e orando, antes de iniciar sua vida pública. A cor da liturgia quaresmal é o roxo, que significa luto e penitência e lembra o recolhimento e será esta tonalidade que estará nos paramentos dos sacerdotes e nos templos. Durante a Quaresma os fiéis são orientados a praticar o jejum, a penitência, a oração e as obras de caridade a fim de se preparar para a grande festa da Páscoa. Inúmeras práticas devocionais são observadas neste tempo, como a oração da Via-Sacra às sextas-feiras, os mistérios Dolorosos do Rosário e a veneração às imagens do Cristo morto. Os católicos são estimulados a fazer exames de consciência e confessar-se.

Neste ano de 2020, a quaresma nos convida a uma profunda conversão e nos põe diante de Jesus, que nos oferece, na parábola do Bom Samaritano, duas formas de olhar: um olhar de sacerdote e levita que vê e passa adiante; e um olhar de samaritano que vê e permanece. Diante desses olhares, vemos a vida humana em perigo!

Restauração, restituição, reconstrução e conversão são práticas intimamente relacionadas ao tempo Quaresmal e à Espiritualidade Franciscana, atitudes que exigem empenho individual e comunitário, além de organização, corresponsabilidade e empenho. Não faltam documentos e reflexões para nortear o percurso pessoal e comunitário que a Igreja do Brasil sugere para a Quaresma deste ano de 2020. O próprio Magistério do Papa Francisco é pródigo em oferecer caminhos de ousadia, coragem e desprendimento a todos aqueles que desejam se aprofundar na radicalidade cuidadosa proposta no Evangelho.

A Quaresma é tempo para descoberta da ternura que revela o rosto materno do Deus apaixonado pelo ser humano. Estimula a amar, cuidar e a aceitar os outros. A quaresma deve estimular a Igreja em saída, aquela que vai as periferias sem medo de sujar as sandálias. Servir! Ver! Sentir compaixão e cuidar da vida é o autêntico Programa Quaresmal.

Neste tempo quaresmal, somos convidados a redescobrir o dom de Deus.

São Francisco, no desejo de imitar e assemelhar-se o mais possível a Jesus Cristo, com a finalidade de reviver os mistérios que ocorrem durante o ano litúrgico, fazia seis as Quaresmas durante o ano para se sentir mais perto de Deus, num desejo de uma continua conversão. Pois bem, vamos nós também, nesta quaresma, procurar um pouco mais o silêncio e a solidão, que não seja uma fuga das nossas responsabilidades, mas, para experimentarmos os sabores celestiais e enxergarmos melhor a beleza e o equilíbrio que estão contidos no mistério da criação; o jejum e a oração não tenha somente o sabor amargo da penitencia mas, também, o sabor da alegria em contemplar o mistério da redenção e a caridade como fruto inevitável desta bondade contemplada!