Guadalupe: A Mãe de Deus nas Américas

Guadalupe: A Mãe de Deus nas Américas

“Não se perturbe teu rosto, teu coração… Não estou eu aqui, tua Mãe?”, disse a Virgem de Guadalupe ao aflito Juan Diego em 12 de dezembro de 1531. Ela, a padroeira da América e do México, quis deixar sua imagem desde esse dia em uma singela “tilma”, tecido tradicionalmente indígena, de pouca qualidade e feito a partir de cactos, como sinal do amor de Deus para com os crentes e não crentes. Coroada em 1875 durante o Pontificado de Leão XIII, Nossa Senhora de Guadalupe foi declarada “Padroeira de toda a América” pelo Papa Pio XII no dia 12 de outubro de 1945.

Quando apareceu no México a Juan Diego, um índio asteca, Nossa Senhora se apresentou com o semblante de uma mulher índia, falando o dialeto de Juan Diego e empregando, para falar de Deus, as expressões e os símbolos da cultura religiosa indígena. A Mãe da Misericórdia, como ela mesma se definiu, quis deixar bem claro seu amor de predileção por este continente e, em particular, por seus filhos mais desamparados.

A história da América Latina está profundamente marcada, desde seu início, pela presença materna e carinhosa de Maria Santíssima. Aparecendo a Juan Diego no México, ela quis deixar claro que tinha um amor de predileção por este continente e seu povo. “Ouve, filho meu… sou a sempre Virgem, Santa Maria, Mãe do Deus da Grande Verdade… Sou a Mãe da Misericórdia, tua e de todas as nações que vivem nesta terra…” A partir de então foi escrita, em Guadalupe, uma das belas páginas da Mariologia. Se é comovente a humildade de Juan Diego, não menos tocante é a simplicidade com que Maria se dirige a um de seus filhos mais desamparados e, justamente por isso, dos mais queridos.

Deus sempre se revela ao Seu povo, mostrando o Seu Amor Misericordioso, por vezes manifestado nas aparições de Nossa Senhora, em momentos que os homens mais necessitam da intervenção Divina. Seja Aparecida, Fátima, Nazaré, Mãe Rainha ou Guadalupe, todas são a mesma Mãe de Deus que vem em socorro de seus filhos, confiados a ela no alto da Cruz, pelo próprio Cristo Jesus.

Dezembro, mês em que celebramos o Natal do Senhor, também fazemos memória de sua Santa Mãe, a Virgem Maria, sob o título de Nossa Senhora de Guadalupe. Como somos latino-americanos a festejamos com especial devoção, pois ela é nossa padroeira.
A virgem de Guadalupe “pode ser chamada, com todo o direito, a Primeira Evangelizadora da América”.
As aparições de Guadalupe são uma mensagem de esperança e um convite à conversão ao Deus verdadeiro. Maria é a mãe misericordiosa que apresenta seus filhos a Jesus. Ensina-lhes que a mensagem cristã é dirigida a todos, sem exclusão de ninguém. Escolhendo um pobre para se manifestar, deixa clara a preferência de Deus pelos mais necessitados. Ensina também que a pobreza evangélica exige total aceitação do plano de deus, ilimitada confiança em sua palavra e generosa disponibilidade.
Declarou o Papa Bento XIV, em 1754: “Nela tudo é milagroso: uma Imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros… uma Imagem estampada numa tela tão rala que através dela pode-se enxergar o povo e a nave da Igreja… Deus não agiu assim com nenhuma outra nação”.

Através da História, sabemos que em momentos cruciais a Mãe de deus tem manifestado aos homens sua luz e sua orientação. Aconteceu assim no início da História da América: Maria queria a união dos povos, o respeito à dignidade das pessoas, a vivência da Justiça, da Liberdade, da Paz e do Amor, que são valores do Reino de Deus. Maria queria SUS filhos, todos os filhos, reunidos em torno da Eucaristia, então escolheu um índio humilde, que já a amava: Juan Diego, que era simples como uma criança, e recebeu a mensagem e a entendeu, como todos nós também deveríamos fazê-lo: como filhos que se sentem muito amados pela mãe.

Sobre a doença do tio, a Virgem diz coisas que todos nós queremos ouvir, às quais, na realidade, a Mãe de Deus diz para cada um de nós em particular: que não devemos nos angustiar nem nos perturbar pelos males nem pelas doenças: que Ela é a sombra que nos abriga e a nossa proteção: que Ela é nossa fonte de vida, e que estamos aconchegados nos seus braços, protegidos pelo seu manto, pertinho do seu peito, do seu coração… Pode haver mensagem mais bela, mais carinhosa e mais animadora?

Passados tanto tempo dessas aparições, possamos todos aprender, com Maria e com Juan Diego, que Ela nos ama e nos quer ajudar, ensinando-nos, sobretudo um caminho sem preconceitos, sem opressão, sem violência, onde a paz e a fraternidade são construídas pela justiça e pelo amor.

Nestes tempos difíceis, procuremos conhecer melhor Nossa Senhora de Guadalupe, amá-la e encontrar o que ela nos oferece. E, sobretudo, sejamos nós, que a conhecemos, bosn instrumentos na divulgação e vivência do Evangelho do seu Filho, único capaz de mostrar a verdadeira Luz a todos os povos…

Que a exemplo de São Juan Diego, o vidente de Tepeiac, sejamos obedientes ao chamado do Senhor e de sua Santa Mãe, sendo perseverantes diante das adversidades e dificuldades da vida. Que a Virgem Morena da América Latina nos leve cada vez mais pelos caminhos da justiça, da fraternidade e do amor…