Clara de Assis: a coragem de uma mulher apaixonada

Clara de Assis: a coragem de uma mulher apaixonada

Há mais de 800 anos, na noite de 19 de março de 1212, dia seguinte à festa de Domingos de Ramos, Clara de Assis, toda adornada, fugiu de casa para unir-se ao grupo de Francisco de Assis na capelinha da Porciúncula que ainda hoje existe. As clarissas do mundo inteiro e toda a família franciscana celebram esta data que significa a fundação da Ordem de Santa Clara espalhada pelo mundo inteiro.

Clara junto com Francisco – nunca devemos separá-los, pois se haviam prometido, em seu puro amor, que “nunca mais se separariam”, segundo a bela legenda épica – representa uma das figuras mais luminosas da Cristandade. É muito bom lembrá-la. Por causa dela, há milhões de Claras e Maria Claras no mundo inteiro. Ela, de família nobre de Assis, dos Favarone, e ele, filho de um rico e afluente mercador de tecidos, dos Bernardone.

Com 16 anos de idade quis conhecer o então já famoso Francisco com cerca de 30 anos. Bona, sua amiga íntima, conta, sob juramento nas atas de canonização, que entre 1210 e 1212 Clara “foi muitas vezes conversar com Francisco, secretamente, para não ser vista pelos parentes e para evitar maledicências”. Destes dois anos de encontro nasceu grande fascínio um pelo outro. Francisco afetuosamente a chamava de a “minha Plantinha”. Três paixões cultivaram juntos ao longo de toda vida: a paixão pelo Jesus pobre, a paixão pelos pobres e a paixão fraterna, um pelo outro. Mas nesta ordem. Combinaram então a fuga de Clara para unir-se ao seu grupo que queria viver o evangelho puro e simples.

Como poderia uma jovem rica e bela fugir de casa para se unir a um grupo parecido com aos “hippies” de hoje? Pois assim devemos representar o movimento inicial de Francisco. Era um grupo de jovens ricos, vivendo em festas e serenatas que resolveram fazer uma opção de total despojamento e rigorosa pobreza nos passos de Jesus pobre. Não queriam fazer caridade para pobres, mas viver com eles e como eles. E o fizeram num espírito de grande jovialidade, sem sequer criticar a opulenta Igreja dos Papas.
Na noite do dia de 19 de março, Clara, escondida, fugiu de casa e chegou à Porciúncula. Francisco e os companheiros a receberam festivamente. E em sinal de sua incorporação ao grupo, Francisco lhe cortou os belos cabelos louros. Clara foi vestida com as roupas dos pobres, não tingidas, mais um saco que um vestido. Depois da alegria e das muitas orações foi levada para dormir no convento das beneditinas a 4 km de Assis. Dezesseis dias após, sua irmã mais nova, Inês, também fugiu e se uniu à irmã. A família Favarone tentou, até com violência, retirar as filhas. Mas Clara se agarrou às toalhas do altar, mostrou a cabeça raspada e impediu que a levassem. O mesmo destemor mostrou quando o Papa Inocêncio III não quis aprovar o voto de pobreza absoluta. Lutou tanto até que o Papa enfim consentisse. Assim nasceu a Ordem das Clarissas.
Seu corpo intacto depois de 800 anos comprova, uma vez mais, que o amor é mais forte que a morte.

Clara de Assis, a “plantinha” do bem-aventurado Francisco, foi a “primeira franciscana” por excelência que encarnou o espírito evangélico do Poverello. O ambiente de contemplação do mosteiro de São Damião em que viveu, estava cercado dos ideais de pobreza, de simplicidade, de humildade, de oração, de trabalho e de sororidade. Foi aí que ela e suas companheiras observaram resolutamente, por toda a vida, o Evangelho. Praticaram-no com alegria sob o signo do “privilégio da pobreza”, sem nada de próprio, dependendo das esmolas.

No dia 11 de agosto, a Família Franciscana do mundo inteiro, celebra Santa Clara, uma das Santas mais amadas, que viveu no século XIII, contemporânea de São Francisco. “O seu testemunho mostra-nos o quanto toda a Igreja é devedora a mulheres corajosas e cheias de fé como ela, capazes de dar um decisivo impulso para a renovação da Igreja, seu profundo desejo de seguir Cristo e sua amizade fraterna e grande admiração por São Francisco de Assis a inspirou a deixar a vida aristocrática e rica da sua casa paterna para consagrar-se inteiramente a Cristo, pobre e humilde. Temos aqui um exemplo de como a amizade é um dos sentimentos humanos mais nobres e elevados, que a graça divina purifica e transfigura”, afirma o Papa Bento XVI, e a Paróquia Franciscana Nossa Senhora de Guadalupe – Cuiabá, a OFS/JUFRA e a Comunidade Santa Clara, também festejará a nossa co-fundadora. Durante este mês, refletiremos sobre a importância de Clara de Assis para nossa caminhada franciscana, tendo a visão de uma co-fundadora e também aquela que seguiu São Francisco e também foi ao encontro dos leprosos. Rezaremos pelas vocações franciscanas, pelas irmãs Clarissas, de forma especial, e por toda Ordem Franciscana e Clariana e seguidores deste carisma.

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