Campanha da Fraternidade 2020

Campanha da Fraternidade 2020

Campanha da Fraternidade

 

Campanha da Fraternidade é uma forma que a Igreja Católica no Brasil encontrou para vivenciar a Quaresma. No transcorrer dos 56 anos de atividade, a Campanha da Fraternidade continua refletindo questões internas e externas da Igreja (ver), iluminando-as com a Bíblia (julgar) e sugerindo pistas de ação (agir), propondo temas que apontam para a necessidade de compromisso cristão. Também propõe discussões e enfrentamento dos problemas que afetam os pobres, como: a precariedade da saúde, a falta de trabalho, a educação, moradia, políticas públicas. Sem excluir este paradigma, a CF/2020 debruça-se nas perguntas “Quem é meu próximo” e “Que devo fazer”?! Somos convocados a refletirmos sobre o significado mais profundo da vida e a encontrarmos caminhos para que esse sentido seja fortalecido e até mesmo reencontrado. Olhando nossas realidades, qual sentido que estamos dando à vida? A vida é dom e compromisso. Seu sentido consiste em ver, solidarizar-se e cuidar. A vida é essencialmente samaritana. Em Jesus Cristo, somos vocacionados ao intercâmbio do cuidar: cuidamos uns dos outros, cuidamos juntos da Casa comum, «a nossa irmã Terra Mãe», como Francisco de Assis a chama no seu Cântico do Irmão Sol. O tema proposto agora em 2020 é Fraternidade e vida: dom e compromisso! Quatro palavras de profundo significado. Fraternidade: parentesco, solidariedade entre irmãos, harmonia entre humanos. Vida: tem conceito bem amplo, mas aqui interessa vida como existência. Dom: significa dádiva, presente. Compromisso: é responsabilidade. Assim a Campanha convida os cristãos para cuidar da vida! Vida nas suas diversas dimensões: pessoal, comunitária, social, ecológica, política. Esse olhar atento precisa antes responder a indagações angustiantes: o que aconteceu conosco? Por que vemos e deixamos crescer tantas formas de violência, agressividade e destruição? Perdemos, de fato, o valor da fraternidade?

A postura do samaritano contém o centro do ensinamento de Jesus: o próximo não é apenas alguém com quem possuímos vínculos, mas todo aquele de quem nos aproximamos. Sentir compaixão é a chave para fazer a vontade de Deus, que ama toda a criação. Tempo de abertura ao mistério da dor e morte de Jesus. Sua entrega na cruz é o culminar do estilo que marcou sua vida. Somente contemplando o mundo com os olhos de Jesus, olhar samaritano, é possível acolher o grito que emerge das várias faces da pobreza e da agonia da criação.

O olhar do sacerdote e do levita são o da indiferença. Um olhar que gera ameaças a vida: aborto, migração forçada, as guerras com milhares de crianças órfãs, o feminicídio! Também são ataque à vida ideias como a pena de morte e o armamento, a meritocracia, o individualismo, o fundamentalismo religioso, o consumismo doentio que cria a cultura do descartável, a banalização do mal, chacinas, criminalização dos pobres, racismo, homofobia, ódio. Governo comprometido com os ricos e poderosos. Mas, o que fazer diante de tantos males? Os discípulos e amigos de Jesus estão a serviço da vida. Sentir compaixão é a chave para fazer a vontade de Deus, que ama toda a criação. É preciso sentir a dor do outro e comprometer-se com o sofredor. A finalidade da vida cristã é promover a solidariedade na construção do Reino de Deus.

Que todo ser humano tenha vida, e vida em abundância (João 10,10). A campanha é um convite ao olhar solidário. A missão do discípulo missionário de Jesus é revelar ao mundo o rosto da misericórdia e da justiça de Deus. Promover a justiça é um ato de fé. A caridade é o verdadeiro sentido da vida. A caridade social nos leva a amar o bem comum. A justiça jamais estará desvinculada da caridade.

Por isso que a Irmã Dulce, está representada no cartaz da CF: aquela que cuida. E seu modo de cuidar sinaliza uma Igreja em saída. Então, é cuidar das pessoas que estão próximas a nós. Onde estou é lugar de cuidado da pessoa, do mundo, da ecologia. Depois, o cenário faz menção à questão do mundo urbano. Amar é fazer o bem! Daí a beleza do cartaz, que está sintonizado com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no que diz respeito ao pilar da caridade.